Passagem de Som


Primeiro foi LP lançado em 1984

O Cheiro de Vida apareceu quase simultaneamente ao surgimento do Hálito de Funcho (1977) e Raiz de Pedra (1978). Se comparado com seus co-irmãos, porém, a atuação profissional do Cheiro de Vida foi um pouco diferenciada. Tendo a vertente de acompanhar cantores e cantoras, o grupo alcançou notoriedade quando excursionou com Diana Pequeno, cantora baiana que começava a destacar-se naquele momento. Depois vieram os irmãos Ramil – Vitor e a dupla Kleiton e Kleidir -, e mais adiante o guitarrista e cantor Pepeu Gomes, entre outros. Independente disto, o Cheiro de Vida focou a composição e execução, proposta equivalente a dos outros dois grupos.

 

        Formado por André Gomes no baixo e na cítara, Carlos Martau e Paulo Supekóvia nas guitarras e Alexandre Fonseca na bateria, o grupo alcançou rápida notoriedade entre os apreciadores de um som nitidamente influenciado por elementos musicais do chamado “jazz fusion” surgido nos anos 70, nos Estados Unidos.

           

        Uma das características do Cheiro de Vida era promover um estilo de música instrumental, da qual predominasse o contrabaixo elétrico, como um instrumento de destaque e não mero acompanhamento, como era de praxe. Em outras palavras, este instrumento saía da cozinha e se deslocava para a sala de estar.  No exterior, esta estética musical já era adotada por contrabaixistas renomados como Stanley Clarke e Jaco Pastorius. No Brasil, ter um contrabaixo sobressaindo-se na melodia era uma novidade.

           

       O responsável por isto foi André Gomes, filho de Zé Gomes, integrante do lendário grupo de música gaúcha Os Gaudérios, que marcou época na década de 1950. Era em cima dos acordes do seu contrabaixista que a música do Cheiro de Vida acontecia. Além disso, adotavam elementos cênicos nos shows, com a participação do Grupo de Bonecos Cem Modos. Valorizavam também o papel do técnico de gravação e mixagem, como se pode ver no LP e no CD em que aparece o nome e a foto de Renato Alscher, oficializado como o quinto membro do grupo.

      

          Falando nisto, após espera de quatro anos, o Cheiro de Vida lançou no final de 1984 o seu primeiro LP - homônimo -, pela ACIT Discos, que surgia em Caxias do Sul (RS). Um sinal daqueles tempos era a demora tanto para gravar quanto para lançar um disco. Na ficha técnica, consta que o período de gravação no Estúdio Eger, de Porto Alegre (RS), se estendeu entre setembro de 1983 a agosto de 1984.

 

          Em uma época em que não existiam LICs (Leis de Incentivos a Cultura) e similares nem tão pouco “crowdfunding” (mobilização para angariar fundos e financiar obras culturais via internet) e semelhantes, para produzir um disco de forma independente, só restavam dois caminhos. Ou bancar todo o custo de produção ou lançar bônus (espécie de rifa) que eram vendidas nos shows.  Esta, inclusive, foi a atitude adotada pelos grupos, seguindo o exemplo de Nei Lisboa, Nélson Coelho de Castro, além de Gelson Oliveira, que juntamente com o baterista Luis Ewerling, lançaram o LP Terra.

         

         Após o lançamento deste LP, o grupo recebeu um novo integrante, o tecladista Dudu Trentin. Ainda resistiram por um tempo em Porto Alegre.  Em 1986, o Cheiro – como era carinhosamente apelidado por seus fãs -, seguiu a mesma trajetória do seu co-irmão Hálito de Funcho. Com novas perspectivas, tentaram fincar raízes no Rio de Janeiro. E embora não conseguissem se fixar como grupo instrumental, rumaram para várias outras frentes do mundo da música.

 

         André Gomes e Alexandre Fonseca passaram a integrar o grupo do músico baiano Pepeu Gomes. Ou seja, o de acompanhar artistas, uma tendência dos primórdios do Cheiro de Vida. Carlos Martau se dividiu entre produção musical e lutheria, a arte de produzir instrumentos musicais. E Dudu Trentin rumou para a Áustria, de onde retornou no início dos anos 2000.  Assim como o Raiz de Pedra, o Cheiro de Vida fez um show de despedida na capital gaúcha, em 1993, no extinto Teatro da OSPA.

           

         Quando se fala em extinção do grupo, transcrevo este trecho do livro “Um século de música no Rio Grande do Sul”, escrito por Arthur de Faria no ano de 2000. Para ele, o Cheiro de Vida “nunca se desfez oficialmente, mas seus instrumentistas têm se dividido entre a lutheria, produção, operação de som – no caso de Martau – e trabalhos free-lancer acompanhando artistas do primeiro e do segundo time da MPB – no caso de Alexandre e André. Mas é fácil descobrir quando se juntam, já que a sonoridade Cheiro é inconfundível. Basta ouvir o hit À Francesa, da Marina Lima”.  

 

* Coluna publicada originariamente no Portal Cultnews www.cultnews.com.br 

        

 



Escrito por Cassiano às 18h53
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Autor: Carlos Ferreira

 http://schematacerebral.blogspot.com/2011/09/pensamento-do-dia.html

Quando: 21/09/2011

"Por quê o tal nicho rocker de Porto Alegre se esforça tanto querendo transformar a cidade na London Town dos anos 60/70, ao invés de viver a realidade cultural do lugar?"



Categoria: Citação
Escrito por Cassiano às 22h46
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A música instrumental gaúcha e seus grupos –Raiz de Pedra *

 

Capa do primeiro LP lançado em 1985

 

Na coluna anterior, abordei a trajetória do grupo Hálito de Funcho. Pioneiro da música instrumental, em Porto Alegre, teve carreira breve, porém intensa. Devido às limitações tecnológicas e também mercadológicas, não conseguiu gravar sequer um LP Não esqueçamos que as técnicas de gravação eram muito restritas, situação modificada há pouco mais de dez anos, pela democratização e barateamento das novas tecnologias. À época, segunda metade dos anos 70, quando se falava em produção independente, os problemas eram confecção e distribuição de um LP, muito caros se comparados ao custo atual da produção de um CD.  

O grupo Raiz de Pedra pode ser definido como uma espécie de seguidor imediato do Hálito de Funcho. Surgiu em março de 1978. Dois anos depois, em 1981, fariam seu primeiro show. Mas ao contrário do Hálito de Funcho, conseguiu gravar um LP.  Em 1985, lança Trajetória. Antes, porém já haviam estreado no disco. Foi no LP coletivo intitulado Porto Alegre 83. E também participava de Quintanares e Cantares, que eram musicalizações em torno dos poemas de Mário Quintana.  Estas duas e mais Quatro cores e Céus, espelhos e cristais, que integram seu primeiro LP são os registros de uma época em que o grupo flertava com o “rock progressivo”, portanto não se restringindo ainda à música instrumental. Esta estética roqueira seria deixada para trás, de forma gradativa.

 

No texto de apresentação publicado no encarte da versão em CD deste LP, o crítico Juarez Fonseca escreve a respeito da estética musical do grupo: “era uma música exaustivamente elaborada, mas como espaços abertos para o inesperado. Inimigos mortais dos clichês, os arranjos adoravam polifonias, atonalismos e quebras de ritmos. O mais surpreendente é a construção cerebral da música do Raiz jamais teve um ar sisudo. Ao contrário, tinha bom-humor e leveza. Era uma música jovem, para jovens exigentes”, menciona o crítico.

 

Neste mesmo encarte, o baterista César Audi destacava as várias facetas de seus integrantes. Segundo ele, estes músicos, “então jovem iniciantes em música, queriam criar uma concepção própria, mesclando estilos e melodias folclóricas. Nomes como Hermeto Pascoal, Arrigo Barnabé, Toninho Horta, Clube da Esquina e muitos outros artistas brasileiros estavam influenciando toda uma geração de músicos”. Além destes artistas, Trindade cita as referências estrangeiras como King Crimson, Yes, Jethro Tull, Genesis, o pessoal do selo ECM, entre outros. “Tendo como partida, este mosaico musical, o Raiz de Pedra criou um verdadeiro laboratório artístico, ensaiando todos os dias”, sintetiza Trindade.

Para um grupo de música instrumental, que lutava contra todas as dificuldades em um mercado para lá de limitado, a notoriedade alcançada era representada pela suas participações em festivais de músicas fora e também por aqui. Foi o caso de Águas Claras (1983), Ouro Preto (1986) e Free Music (1988), este realizado no antigo Teatro da Ospa, entre outros.

 

Dois anos depois, lançam Raiz de Pedra ao Vivo, gravado no Teatro São Pedro. Apesar do sucesso por aqui, o grupo segue o conselho de Tom Jobim nos anos 70: “a melhor saída para o músico brasileiro é o aeroporto.” No ano seguinte, 1988, todos seus componentes, - o já citado César Audi na bateria, Pedro Tagliani nas guitarras e violões; Ciro Trindade no contrabaixo elétrico; e Márcio Tubino nas flautas e saxes, além de Conrado Pecoits nos teclados, substituindo Marcel Nadruz - embarcam para a Alemanha, em turnê. Nadruz opta em ficar por aqui. Vai desenvolver seus estudos musicais no vizinho Uruguai.  

No ano seguinte, já radicado na Alemanha, o grupo lança o CD Pictures. Por conta de estar radicado por lá, diversas turnês entre a própria Alemanha, além da Áustria e Itália são realizadas. Em 1991, dois anos após o lançamento de Pictures é a vez de Ciro Trindade optar em sair do grupo. Reduzido então a um trio com eventuais participações de diversos baixistas convidados, é lançado em 1995, o CD Diário de Bordo. Neste trabalho, a participação especial de Egberto Gismonti.

 

Cinco anos após o lançamento deste CD, em abril de 2000, o grupo faria sua última apresentação por aqui, no Theatro São Pedro. Coincidência ou não, o fato é que desde então, um longo e desconfortável silêncio persiste quando falamos em grupos voltados para a música instrumental, que sejam representativos e atuantes por aqui.

 * Coluna publicada originariamente no Portal Cultnews www.cultnews.com.br



Escrito por Cassiano às 00h21
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Menino do Rio (por Andrea Ormond)

 

Grande momento do cinema brasileiro, "Menino do Rio" (1982) representou epítome da geração nascida em meados dos anos 60, e que a partir de então assumiria de vez o panorama cultural do país. Não à toa foi estrelado por André De Biase, Evandro Mesquita e Sérgio Mallandro -- nomes que um futuro distante, repleto de nostalgia oitentista, adoraria como semideuses. Foi também o filme que jogou o diretor Antônio Calmon a outro patamar de realização, infelizmente afastando-o daquilo que sabia fazer melhor: o cinema policial sem escrúpulos, desvairado, de "Paranóia" (1976) ou do clássico "Eu Matei Lúcio Flávio" (1979).

Produção da família Barreto, "Menino do Rio" anunciava novos tempos. Os anos 60 e 70 da psicanálise, de Marx, Marcuse e dos roqueiros "com cara de bandido" -- nas palavras de Rita Lee -- ficavam para trás. Nascia uma juventude saudável, ideologicamente neutra, que começaria a puxar ré ao neoconservadorismo que vivemos hoje.

Adepto deste ar bom-moço, o protagonista Valente (André De Biase) mora em local ignorado, próximo da Barra, conserta pranchas de surfe e se alimenta basicamente de peixe, vinho em garrafão e vitaminas de frutas. Seus amigos seguem o mesmo estilo: Zeca (Sérgio Mallandro), o casal zen-surfista Aninha (Cissa Guimarães) e Paulinho (Evandro Mesquita); além do agregado Pepeu (Ricardo Graça Mello).

Voam de asa-delta, fazem luau em Saquarema e até arriscam um baseado. Quem não conhecesse as noites "brilhantes" do Rio na época -- fielmente retratadas em "Rio Babilônia" -- poderia achar que a cidade mergulhara no jardim de infância. Ou que a moçada barra-pesada do Leblon, que o próprio Calmon alimentara a pires de leite em "Terror e Êxtase", tinha se mudado para Belo Horizonte.

Tanta ingenuidade cria armadilha maniqueísta, onde jovens bons se contrapõem a uma sociedade intrusa, essencialmente má, habitada pelos adultos e outros jovens "por fora". Caso de Patrícia (Claudia Magno), noiva de Adolfinho (Ricardo Zambelli), e amante de Braga (Adriano Reys). Quando namora Valente, filho de Braga, Patrícia termina cooptada pelo mundo "bom". Sua fisionomia muda. Deslumbra-se com a revelação -- em cores cítricas -- da verdade balneária.

Detalhe atraente, os nativos falam o lindo dialeto carioca, captado pouco antes de doses maçiças do Xou da Xuxa transformarem a prosódia da cidade em uma espécie de submiguxês. Também a trilha sonora interpretada por Ricardo Graça Mello e o marketing obsessivo da Energia, loja de "moda surf" em Ipanema, encantam os corações ouriçados.

Aos puristas fica o aviso de que faltou a Company -- marca onipresente na zona sul -- e a Rádio Cidade, para que o instantâneo adquirisse completa verossimilhança. Misturar praia e esportes afins com gestuais e acessórios do cotidiano começava a ganhar tintas de holocausto, marginalizando ao longo da década qualquer jovem que se recusasse a ter aparência de havaiano.

No mundo adulto, Adriano Reys bem que tenta segurar a onda, não compra vestuário em Bali e termina perdendo Cláudia Magno -- precocemente falecida aos 35 anos, em 1994 -- para o chalé do filho. Exagero da produção, o príncipe valente André de Biase surge várias vezes com o cabelo imóvel, provavelmente com boas doses de laquê Aspa.

Tamanha cafonice devolveria qualquer heroína às mãos felpudas do pai, mas Patrícia e uma amiga, interpretada por Nina de Pádua, também abusam de ombreiras e peruagem surreal. Cissa Guimarães e Cláudia Ohana, gatinhas de praia, já não caem nessas armadilhas e, de biquíni e cara lavada, atravessaram as décadas tão naturalmente apetitosas quanto deviam parecer em 1982.

Na estréia do filme, em janeiro daquele ano, à eterna má vontade da crítica somou-se certa tentativa de desmerecê-lo como reles escapismo. Salvyano Cavalcanti de Paiva, no Globo, chegou a falar em "anestésico". O tempo demonstraria que apesar da fórmula feita, do medo de errar, Calmon e Bruno Barreto -- o produtor -- geraram otimismo imenso, recompensado pelo sucesso nas bilheterias -- propiciando até uma continuação fraquíssima: "Garota Dourada" (1984).

De fato a epifania do mar, do sol e da vida coletiva era ótima de se querer na saída do cinema. De se curtir dirigindo um bugre cheio de amigos até o Pontal. E é assim que devemos nos impressionar por "Menino do Rio": idealização do que aqueles jovens gostariam de viver, de ser. Espécie de nova utopia, sobrepondo a paisagem e o bronzeado ao humanismo e à racionalidade.

Link de origem

 

 

 

 



Escrito por Cassiano às 23h47
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A música instrumental gaúcha e seus grupos – Hálito de Funcho *

Capa do único CD do grupo lançado em 2000

Um olhar mais atento para a história da música, independente do local, permitirá que percebamos detalhes até então esquecidos ou desconhecidos. Este olhar serve para contrapor e para refletir sobre o efeito do quanto a massificação de certos gêneros musicais se fortalecem na mídia, enquanto outros são relegados ao esquecimento, para não dizer a marginalidade. Resgatar estes gêneros esquecidos, mas, também analisar os que estão em evidência é a proposta desta coluna.

Trata-se de um gênero musical que sempre foi considerado menore por grande parte da mídia e também do público foi a música instrumental. Quando digo música instrumental, é importante ressaltar que diz respeito a um termo muito amplo. Vai desde a música erudita até o chorinho, entre outros. Mas o que vou mencionar aqui diz respeito a uma safra de grupos que marcou a trajetória deste estilo em Porto Alegre e também do Estado: Hálito de Funcho, Raiz de Pedra e Cheiro de Vida. Em comum, o fato de usarem dos instrumentos elétricos como a guitarra, o contrabaixo e o piano. E adotarem uma influência elástica, que vai do rock progressivo até o jazz, passando pelos ritmos brasileiros. Além da indumentária estética dos músicos, em grande parte, usava cabelos longos, ao estilo “hippie”.

Coube ao pioneiro Hálito de Funcho, a “abertura dos trabalhos”. Quando surge em Porto Alegre no ano 1977 até sua dissolução em terras cariocas, no ano de 1981, marcou a história da música instrumental dita contemporânea aqui no Estado. Pioneirismo é definição precisa para analisarmos a trajetória musical deste grupo. Dos vários shows, em que conceberam e se apresentavam, passando pela criação de instrumentos como o berimbau elétrico, a violítara e o glassicórdio, (um instrumento de sopro), e culmina entre outros acontecimentos numa jam-session em uma tarde de junho de 1979. Em pleno auditório da Assembléia Legislativa, o encontro com o grupo de jazz contemporâneo alemão Schoof Quintet, que fazia uma turnê pelo Brasil naquela época.

De constante na sua formação, apenas o seu principal idealizador, o contrabaixista e violonista Jorge Gerhardt. Mas por outro lado, foram inúmeros shows em vários lugares de Porto Alegre, que marcou àquelas que assistiram. Apesar do sucesso e do prestígio conseguido com seus shows, “memoráveis” como ressaltam os vários felizardos que chegaram a assistir suas apresentações, não conseguiram aquilo que todo o músico sério almeja: o reconhecimento e o respeito, tanto por parte da crítica quanto do público.

Na virada dos anos 80, se mudam para o Rio de Janeiro, de uma forma circunstancial: são selecionados, em um concurso nacional, promovido pela Funarte, juntamente como outros nove outros cantores e instrumentistas de todo o Brasil para uma temporada na Sala Sidney Muller.

Sentindo que sua trajetória se esgotava em uma Porto Alegre musical muito diferente da dos dias de hoje, a possibilidade de tentar radicar-se na antiga capital do Brasil, era visto com uma forma de se revitalizarem musicalmente. Infelizmente, esta idéia acaba não se concretizando. Logo após a temporada carioca, o grupo se dissolve. Em 2000, Jorge ainda tenta ressurgir com o Hálito, lançado um CD com músicas “demos” gravadas em estúdios de gravações, das suas várias formações, ainda nos anos 70 e também com uma nova formação, mas o projeto não prospera. Curiosamente, este é o único trabalho fonográfico do grupo, já que na fase anterior, o grupo não conseguiu gravar e lançar um LP. Aquilo que seria a parte final de uma etapa artística exitosa.

Ficou a lembrança saudosa dos que viram o grupo e o reconhecimento ainda por merecer, por parte dos acadêmicos e também daqueles ligados a história da música. O grupo abriu uma frente da música instrumental produzida por aqui e que não seguiu modas ou tendências musicais, e também, uma prática que aparece nos anos 90: o fenômeno das bandas “cover”. E que na sua esteira, seguiram os já citados Cheiro de Vida e Raiz de Pedra, cujas trajetórias serão abordadas nas próximas colunas.

 

* Coluna publicada originariamente no portal Cultnews www.cultnews.com.br        

 

           

           

 

 



Escrito por Cassiano às 21h46
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"Na Ribeira Deste Rio"

Autor: Poema de Fernando Pessoa e Música de Dori Caymmi

 http://www.pessoa.art.br/

Quando: LP "A Música em Pessoa" - 1985

"Na ribeira deste rio/Ou na ribeira daquele/Passam meus dias a fio/Nada me impele/Me dá calor ou dá frio/ Vou vendo o que o rio faz/Quando o rio não faz nada/Vejo os rastros que ele traz/Numa seqüência arrastada do que ficou para trás/ Vou vendo e vou meditando/Não bem no rio que passa/Mas só no que estou pensando/Porque o bem dele é que faça/Eu não ver o que vai passando (...)"



Categoria: Citação
Escrito por Cassiano às 00h08
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Ritmo Alucinante (por Andréa Ormond)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nelson Rodrigues diria o seguinte: “Dez anos, amigos, não são dez dias!” Portanto, todos os descontos devem ser dados a “Ritmo Alucinante” (1975), filme-registro do longínquo festival de rock realizado no campo do Botafogo, sob o patrocínio dos cigarros Hollywood, em fevereiro de 1975.
Quase dez anos exatos antes do primeiro Rock in Rio (janeiro de 85) colocar milhares de pessoas assistindo a dezenas de shows nacionais e estrangeiros, o modesto festival de 75 não poderia ser mais improvisado: somente artistas nacionais, um espaço pequeno encravado na Zona Sul do Rio, e uma sensação de heroísmo no ar, do tempo em que Rita Lee dizia que “roqueiro brasileiro tinha cara de bandido”.
Bandidos ou não, lá estavam a própria Rita, na flor dos 27 anos – com o grupo Tutti Frutti –, a banda Vímana (de Ritchie, Lobão e Lulu Santos, quase imberbes), Erasmo Carlos, Celly Campello, O Peso e, finalizando, Raul Seixas, em uma performance espetacular.
As lendas que envolvem a preparação e execução do projeto são inúmeras. Nos quatro sábados em que durou o espetáculo aconteceu de quase tudo: um desabamento no palco, uma chuva torrencial e, principalmente, o longo e heróico discurso de Raul a favor da Sociedade Alternativa, em pleno governo autoritário do general Ernesto Geisel.
Grande parte disso foi registrada no filme e está pronta a ser apreciada. Uma óbvia inspiração de “Woodstock” – o documentário de Michael Wadleigh, feito seis anos antes – é evidente, e a chuva deve ter contribuído ainda mais para que o ouriço fosse lembrado. Mas não se iludam: o que “Ritmo Alucinante” mostra é a luta comovente de jovens do terceiro mundo, em um país fechado e paranóico, na tentativa de respirarem vida e criarem uma cultura única, de referências globais mas com o sabor de coisa local, bem brasileira.
Essa questão acentua-se nas entrevistas que permeiam os números musicais, quando Scarlet Moon (futura esposa de um dos músicos presentes, Lulu Santos), conversa com os artistas e busca contextualizá-los para o espectador. Erasmo Carlos, por exemplo, surge reclamando da censura, de chapéu negro e cabelos compridos, sentado no meio do campo da Rua General Severiano. Logo depois Celly Campello está ao lado dele, ainda com um ar jovial de boa moça, contando um pouco da sua carreira para uma atenta (e também muito mocinha) Scarlet Moon.
A parte principal é ocupada pelas apresentações: Rita Lee aparece como um Ziggy Stardust renascido, inclusive nos trejeitos; o Peso e Vímana estão na sintonia do público; e Celly e Erasmo não ficam mal em roupagem setentista. Mas quase tudo parece uma preparação para Raul Seixas – quando o filme termina apoteótico.
Somente por adendo, algumas fontes citam que o Terço e os Mutantes (de Sérgio Dias), se apresentaram, mas eles não são mostrados – ao menos não na antiqüíssima versão lançada em Vhs que possuo. Uma boa razão para isso pode ter sido a chuva, que espantou técnicos e público do local no segundo sábado de shows – e que quase fez com que a continuação na semana seguinte fosse cancelada.
Dirigido por Marcelo França, realizado com duas câmeras (uma fixa e outra em movimento) e imagem muito granulada, “Ritmo Alucinante” talvez seja o mais importante registro do rock brasileiro nos anos 70. Depois maiores e menores festivais vieram até que, em 1985, o país entrasse definitivamente na rota mundial deles. Só que os tempos eram outros e não coube ao cinema, mas à televisão, registrar o momento histórico.
E sob a perspectiva de 2006, quando o Brasil exporta seu know-how na realização de mega-eventos e até os Rolling Stones se apresentam em plena Praia de Copacabana, vale a pena lembrarmos da época em que – no bairro vizinho, Botafogo – tudo foi tão mais difícil e incerto. Graças ao faro documental de alguns, a história começava a ser contada, para deleite dos sortudos presentes e das futuras gerações.

 



Escrito por Cassiano às 18h17
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A face desconhecida de um Mutante

 

Sérgio Dias: CDs como instrumentista ainda são desconhecidos por parte do público e ignorados pela mídia.

 


 

 

 

“Para Sérgio Dias, não é interessante ficar falando dos Mutantes, ‘porque é uma coisa que já passou, não leva a nada’. O que importa é falar de sua carreira de guitarrista.” [1] Este trecho que reproduzo de um exemplar da extinta Revista Música, provoca-me uma reflexão. O que mudou daquela declaração feita no início da década de 1980 para 2006, quando ele e mais dois ex-componentes, o seu irmão Arnaldo e o baterista Dinho, ressurgirem com Os Mutantes? A resposta é: muita coisa.

 

Atualmente, ele está de volta com uma formação do grupo “Os Mutantes”, pegando carona na onda de nostalgia que alimenta a indústria do rock e do pop, desde a década de 1990. Como solista, sua carreira tem vários focos. Um destes focos, e que foi para mim o mais interessante, é ser instrumentista. Esta face, porém demoraria a acontecer. Já no seu primeiro LP, intitulado Sérgio Dias (CBS, 1980) tratava-se de um LP quase todo cantado, muito calcado nas características daquilo que se chamaria ser considerado um disco de MPB. A expectativa em lançar um disco inteiramente instrumental vinha da sua carreira como músico de estúdio.

 

Logo após desfazer com Os Mutantes em junho de 1978, Sérgio Dias passou a gravar com vários artistas da MPB. Entre os quais, citamos Gilberto Gil (é dele o solo de “Não Chore Mais”, versão de “No Woman, No Cry” de Bob Marley, do LP “Realce”(WEA,1979). E também com Ney Matogrosso, Caetano Veloso e Tavito. [2]

 

Ainda naquele ano de 1979, a convite do violinista indiano Lakashami Shankar[3], Dias mudou-se para os Estados Unidos. Mais precisamente para Nova York, onde ficou até 1985 quando volta para o Brasil. E aí, influenciado pelo jazz, seu trabalho era focado na música instrumental. Também pudera, lá conviveu e tocou com Gil Evans, Jonh McLaughlin, além dos brasileiros Eumir Deodato, Airto Moreira e Flora Purim. Com estes dois últimos inclusive ele cria o grupo Steps of Jazz. Ainda em 1985, Sérgio Dias se apresenta com seu grupo na primeira edição do Free Jazz Festival. E no seguinte, apresenta-se na extinta sala de shows Jazzmania. Posteriormente, em 2003, estas apresentações realizadas em julho de 1986 são lançadas em CD pela gravadora Editio Princeps. Ao escutar Sérgio Dias’ Jazz Mania Live fica evidente a influência trazida dos Estados Unidos, onde Pat Metheny e Weather Report são perceptíveis. Em 1990 ele prossegue com sua carreira de instrumentista. Desta vez, lança em parceria com o ex-guitarrista do grupo inglês Roxy Music, Phil Manzanera, o CD Mato Grosso (Black Sun).

 

Neste trabalho, fortemente influenciado pela “new age” [4], comprova-se aquilo que a crítica vinha mencionando até então: a consolidação de um notável instrumentista que não fica nada a dever aos principais guitarristas de outros países. Infelizmente após gravar este CD, sua carreira de instrumentista não prossegue. Ele vai para os caminhos do “pop” e da “world music”. O primeiro, Mind over matter (Expression Records, 1992) apontava para o “pop”, enquanto o subseqüente, Songs of Leopard (Black Sun,1997), aponta para a “world music”[5]. Porém, como exceção de Mato Grosso e de Sérgio Dias’ Jazz Mania Live, o guitarrista não lançou mais nada que fosse instrumental CD. Ainda que se apresente como tal, como foi no Festival de Jazz de Rio das Ostras, no ano de 2004. [6]

 

Apesar deste retorno dos Mutantes, Sérgio Dias tenha conseguido uma projeção na mídia, a sua carreira como instrumentista deixa uma lacuna. E a julgar por esta repercussão que teve o retorno dos Mutantes, apesar dos desfalques na formação, a tendência é que dificilmente possamos voltar a escutar CDs exclusivamente instrumentais deste guitarrista.



[1] Ribas, Neusa. O melhor guitarrista do mundo. Quem? Sérgio Dias. Revista Música. Ano IV. 1981. nº 49. p. 51.

[2] Nesta reportagem assinada por Neusa Ribas, consta a informação que Sérgio Dias tocou em 1978 no I Festival de Jazz de São Paulo com “Philip Catherine, Larry Coryell e Jonh McLaughlin”. Esta informação, porém, não consta de outros registros a respeito deste Festival, nem do seu próprio site.

[3] Não possui parentesco com o famoso sitarista Ravi Shankar, conforme resposta dada a mim pelo próprio Sérgio Dias quando o entrevistei em março de 1993.

[4] “New age”:(ingl. lit: nova era) Gênero de musica instrumental leve, evocava estados de meditação e relaxamento nos anos 1970. In: Dourado, Henrique. Dicionário de termos e expressões da música. São Paulo, Editora 34. 2008. p.

[5] “World music”:(ingl. lit: música mundial) 1. Nos EUA, a música internacional das mais diversas etnias, impregnada de estilos e sotaques de seus países nativos. 2. Genericamente, a música de países ou regiões diversos. In: Dourado, Henrique. Op. Cit. p. 367

[6] Conforme registro no seu site www.sergiodias.com.br



Escrito por Cassiano às 18h10
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Um longo intervalo

 

A longa ausência por aqui tem uma justificativa. Entre a última postagem realizada em novembro de 2006 e este editorial, ficamos ausentes por um motivo: a realização da extensa pesquisa que resultou na tese de doutorado. Finda a mesma em janeiro deste ano de 2011, reativamos este blog com várias novidades. Algumas delas já adiantamos. Como a inserção de novos itens nas categorias deste blog. Novos links bem como a remoção de outros que não estão mais disponíveis ou desatualizados. E uma novidade diz respeito a reprodução de posts publicados em outro blog. Neste caso, o blog Estranho Encontro, editado pela crítica de cinema Andrea Ormond. E a crítica que publicamos neste blog, é a respeito do documentário Ritmo Alucinante, produzido em 1975. Soube da existência deste blog da Andréa em 2006. E aqui uma característica peculiar: seu enfoque é exclusivamente voltado para a crítica de filmes nacionais. O que é de salientar é a maneira como Andrea Ormond escreve suas críticas: como sabedoria de alguém que admira cinema, que foge aos estereótipos e clichês, principalmente quando o assunto é cinema brasileiro. Em suma, Andrea faz o que se espera de um crítico cultural: ir além do óbvio, driblando, com um texto elegante e inteligente, os preconceitos que existem sobre o cinema brasileiro. E já que o assunto é cinema brasileiro, presto aqui minha homenagem ao colega Hélio Barcelos Jr., falecido no dia 31 de março passado. Trata-se de um jornalista que conhecia muito bem cinema, especialmente o produzido no Brasil, principalmente os títulos obscuros dos filmes produzidos na Boca do Lixo de São Paulo.

 



Categoria: Editorial
Escrito por Cassiano às 18h07
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O gênio de legado tardio

 

O maestro e arranjador Rogério Duprat


           O ano era 1982. Estava naquela fase de ir atrás do que os compositores da chamada MPB. Mas lembro-me que ao contrário de hoje, havia uma valorização muito forte dos compositores e cantores. A década recém iniciava com a perspectiva de uma mudança política, social e cultural em curso...(bem ao contrário de hoje!). A Editora Abril lançava uma coleção “História da Música Popular Brasileira – Grandes Compositores”. E eis que meu pai passou a comprar e colecionar os fascículos, que vinham com um excelente material informativo e também fotográfico, além de um “long-play”. Mas a delícia maior que eu tinha era em ler a ficha técnica das músicas que faziam parte do disco, uma espécie de compilação da obra do autor em questão.

         Ainda sobre este fascículo, para minha surpresa, uma das faixas finalmente se fazia presente: “Domingo no Parque”. É interessante lhes dizer: trata-se de uma canção que tem o seu mérito histórico pela questão do arranjo musical e também pela letra de Gilberto Gil. Lembro-me inclusive que primeiro eu conheci a letra dela (cinco anos antes, quando estava na quarta série do antigo primeiro grau, meu livro de Língua Portuguesa estampava a letra). Li e reli várias vezes, buscando entender o que significava aquela história....Mas o impacto maior, confesso, foi aquela misturança de berimbau, guitarras elétricas...e orquestra sinfônica!!!!

         E por trás daquela confusão (saudável, pelo menos para mim)...a obra dele estava lá...antes deste contato, eu apenas tinha ouvido falar em seu nome: Rogério Duprat. Desde então, o maestro, arranjador e compositor foi um dos músicos que embora pouco valorizado pelo público (ou seria muito pouco divulgado para o público?) foi e será um dos grandes nomes que já passaram pela música produzida no Brasil.

         Vanguardista, genial, esquizóide, tanto faz a rotulação de sua obra. Vale sim, destacar a sua trajetória como músico erudito e popular, integrante de um movimento chamado Tropicália, um dos mais importantes movimentos musicais surgidos no Brasil nos últimos tempos. Infelizmente o reconhecimento de seu legado veio de forma muito tardia...Coisas da “Terra Brasilis”!!!


Saiba mais:

 

Livros:

 

1)Rogério Duprat: sonoridades múltiplas. Autora: Regiane Gaúna

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=678297&sid=0137111588113391683298674&k5=5353988&uid=

 

2) Tropicália: A História de uma revolução musical. Autor: Carlos Calado

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=104883&sid=0137111588113391683298674&k5=190C6C86&uid=

 

Sites:

 

1)Oficial do Movimento Tropicália:

http://www1.uol.com.br/tropicalia/

 

2)Sobre Rogério Duprat:

http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/rogerio-duprat.asp

 

 



Escrito por Cassiano às 22h20
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"Cenário do Jazz aqui e lá fora"

Autor: José Roberto Betrami

 http://www.azymuth.net/

Quando: Agosto/2000

A questão do cenário do jazz no Brasil e nos Estados Unidos:

"A Casa Branca está sempre ouvindo jazz. Já Brasília...sempre sertanejos".

"O Jazz no Brasil sempre assustou os americanos. Laurindo de Almeida (5 grammy), Flora(Purim), Airto(Moreira)...Vamos continuar assustando."



Categoria: Citação
Escrito por Cassiano às 12h42
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Um grupo musical que não come mosca – Parte Final

Azymuth, uma autêntica e legítima instituição musical brasileira

Da esquerda para direita: José Roberto Bertrami, Ivan Conti (Mamão) e Alex Malheiros


Percebendo que o tipo de som não ficaria restrito ao Brasil, o trio começa a desbravar fronteiras. A gravação de “Jazz Carnival” estoura no exterior. Se você não identificou pelo nome, veja o link abaixo. Foi lançada em 1979, no disco “Light as a Feather” pela gravadora americana Milestone.

Gradativamente eles passam a viajar bastante para o exterior – principalmente Estado Unidos e Europa – e menos para o Brasil... O fato é que a partir dos anos 80, muito pouco se sabia do paradeiro do Azymuth.  De forma espúria, eles foram “convidados” a se fixarem no exterior. Se por um lado, carimbou a música deles como “for export”, por outro se abre um buraco no terreno chamado música de qualidade. Contudo, José Roberto Bertrami, menciona que “dizem que os 80 foram uma década perdida - para nós, pelo menos, não foi”.

Hoje, passadas duas décadas pode-se dizer que a carreira do grupo está consolidada lá fora. Já por aqui, a situação é oposta: raramente tocam em rádio, os cd’s disponíveis são em grande parte de selos estrangeiros, estando portanto cotado em moeda forte, seja dólar, libra ou euro. Já o catálogo nacional está à mingua, fruto da política criminosa das gravadoras brasileiras que não tratam nada bem seu rico acervo.

Mas consolemo-nos... A frase do conceituado crítico musical José Domingos Rafaelli resume, de forma inteligente, o que representa o Azymuth para a música brasileira:“O Azymuth não é apenas uma banda; trata-se de uma instituição”.

 

 

Notas:

_________________________

 

Declarações retiradas do site Cliquemusic, disponíveis no link:

http://cliquemusic.uol.com.br/br/Acontecendo/Acontecendo.asp?Nu_Materia=1833

 

Declaração de José Domingos Rafaelli:

“Papo Jazz – Azymuth”. In: Coluna “Jazz Magazine” por Mauro Affonso e Affonso. Rio de Janeiro, Jornal International Magazine. Edição, 59, Ano X. p. 38.


 

Saiba mais sobre Azymuth:

 

http://www.azymuth.net/ (Música de abertura: “Jazz Carnival”)

 

http://www.geocities.com/azymuthjazz/

 



Escrito por Cassiano às 11h08
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"Toda memória é invenção"

Autor: Miguel Sanches Neto

 www.miguelsanches.com.br

Quando: Revista Carta Capital, pg. 65. 03/05/2006

“Toda memória é invenção, pelas mais variadas razões: traição da reminiscência, desejo de moldar o passado de acordo com determinadas intenções, incerteza que marca toda existência”.

Trecho da resenha "A Arte-Criança" sobre o livro "Memórias inventadas - a Segunda Infância" de Manoel de Barros.Lançamento da Editora Planeta (80 págs. R$34,00)



Categoria: Citação
Escrito por Cassiano às 23h40
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Um grupo musical que não come mosca – Parte I

Capas dos primeiros lp's do Azymuth: Participação na trilha sonora do documentário "O Fabuloso Fittipaldi"(1973), composta por Marcos Valle,o  primeiro disco, "Azimüth", produzido em 1975 e "Águia não come mosca" de 1977 que projetou o nome do grupo para o exterior.


Formado por José Roberto Bertrami (teclados), Alex Malheiros (contrabaixo elétrico) e Ivan Conti (conhecido como Mamão na bateria e percussão). O grupo Azymuth surgiu este nome em 1973 quando das gravações para a trilha sonora do documentário “O Fabuloso Fittipaldi” dirigido por Hector Babenco. A trilha sonora por sua vez ficou a cargo do compositor e tecladista Marcos Valle. Silvio Essinger, revelou no site Clique Music [nota1] que “o primeiro trabalho conjunto de Bertrami, Alex e Mamão foi na banda escalada para a inauguração da finada boate carioca Monsieur Pujol, criada por Miéle e Ronaldo Bôscoli.”

Veio então o nome Azymuth como mencionamos anteriormente. Em 1975 sai o primeiro LP pela Som Livre. E é justamente nesta gravadora que eles começam a despontar tendo composições suas inseridas nas trilhas sonoras da novela Globais: “O Espigão” (1974), “Cuca Legal” (1975), “Pecado Capital” (1976) e em “Locomotivas” (1977), sem dúvida a música que os projetou internacionalmente. Trata-se de “Vôo Sobre Horizonte”, que integrou o segundo deles, o LP “Águia Não Come Mosca”, lançado nos mesmo ano de 1977 pela então nascente WEA (selo da gravadora Warner Brothers) Mas não era apenas de shows que eles sobrevivam... Muito pelo contrário, a tarefa exaustiva de ser músico de estúdio.

“Naqueles meados de anos 70, Bertrami, Alex e Mamão gravavam com todo mundo da MPB - de Hyldon, Clara Nunes, Belchior e João Nogueira a Odair José, Raul Seixas, a Banda Veneno de Erlon Chaves e Tim Maia”, relata Silvio Essinger. Quem conhece o trabalho deles dou-lhes uma sugestão: escutar a música-tema do filme “Bye-Brasil” de Cacá Diegues irá perceber um ao longo da canção tema, cantada por Chico Buarque, uma espécie de som eletrônico pontuando toda a música.... Trata-se de um sintetizador tocado por José Roberto Bertrami, de nome “Oberheim”. A habilidade e o talento em trabalhar com os teclados eletrônicos numa época em que eram muito raros de serem utilizados por músicos brasileiros.

 

Nomes estranhos de teclados como “Mini-Moog”, “Arp Strings”, “Órgão Hammond”, “Piano Fender Rhodes” e “Vocoder” [nota 2] antes presentes em fichas técnicas de músicos e cantores estrangeiros agora estavam nos LP’s destes artistas citados com os quais Azymuth trabalhou. O próprio Zé Bertrami define esta atitude como algo pioneiro para a época. “Trouxe esse equipamento para o Brasil em 1972 - só depois o Lincoln Olivetti começou a usá-los. Na época, só o Chick Corea e o Herbie Hancock gravavam com esses teclados”, conforme relato a Silvio Essinger.

 

Notas:



 2 Teclados analógicos: São teclados onde tudo é feito a partir da energia elétrica. Existem os osciladores que modulam a energia gerando sons. Esse som produzido, você os "direciona" os filtros, onde através deles você faz alterações no timbre até ficar de seu gosto. Definição retirada do link: http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/8/76245/

 

                                                                                                                                                      Continua

 



Escrito por Cassiano às 23h33
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Circuito Instrumental leva show de choro a Porto Alegre com Joel Nascimento

http://www.circuitoinstrumental.com.br

Data: 09/06/2006 - Hora: 19h00

Local: Salão de Atos da Reitoria/UFRGS

Circuito Instrumental leva show de choro a Porto Alegre. O Projeto é patrocinado pela Petrobras e coloca Joel Nascimento e Quatro a Zero no mesmo palco.O Circuito Instrumental Universitário é uma série de 15 shows de choro que circula por universidades públicas brasileiras até julho. As apresentações são gratuitas e levam aos palcos o conjunto Quatro a Zero com participação de Joel Nascimento.

“O público assistirá a união do talento consagrado da velha guarda - representado pelo Joel Nascimento - ao lado de quatro jovens que têm se destacado no cenário nacional pela inusitada abordagem que dá às interpretações de choro”, afirma Newton Gmurczyk, idealizador do Circuito Universitário. O projeto, que é patrocinado pela Petrobras, visa estimular o gosto pela música instrumental brasileira, em especial a linguagem do choro, ampliando horizontes estéticos e contribuindo para a formação de platéias para o gênero. “Queremos apresentar (ou reapresentar) a esses jovens a capacidade infindável de improvisação dos grupos de chorões, mas de uma forma moderna”, conta Gmurczyk.

Mais que isso, o Circuito Universitário incentivará o envolvimento das representações estudantis nas atividades de produção local e de divulgação do projeto junto aos estudantes. Os shows serão gratuitos e deverão ocorrer em palcos montados nas áreas de convívio social dos campi, ou em teatros e espaços equivalentes dentro de universidades públicas brasileiras. Ressaltando, dessa forma, as atividades culturais e reforçando o vínculo desses representantes com os estudantes. 

Responsável pela divulgação deste evento:

Jornalista Betina Piva / Assessoria de Comunicação /

Contatos pelo e-mail: betinapiva@uol.com.br



Categoria: Evento
Escrito por Cassiano às 23h25
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